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Audio - Integração de MIDI e Áudio no Computador

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Desde que os primeiros softwares MIDI surgiram, a partir de 1984, muitas mudanças vêm ocorrendo no trabalho de composição e execução musical. Inúmeros músicos e compositores têm contado com a ajuda do seqüenciador em suas atividades de criação e execução, o que lhes oferece uma enorme gama de facilidades para concretizar suas idéias musicais. Por outro lado, à medida que são ultrapassados as limitações para a armazenamento de áudio digital nos discos rígidos, os computadores vêm sendo usados também para a gravação das partes da música (vocais, instrumentos acústicos) que não possam ser produzidas via MIDI.

Com tais recursos tecnológicos, diversos músicos e compositores trabalham com tranqüilidade, em seus próprios home-studios, e muitas vezes podem produzir sozinhos grande parte dos arranjos e execuções, graças à eliminação de algumas etapas desgastantes e dispendiosas. A redução gradual dos preços dos softwares e equipamentos, junto com o aumento dos recursos e níveis de qualidade, tem levado muitas pessoas a adotar a tecnologia da informática como um novo instrumento musical.

Este artigo apresenta o panorama atual do uso do computador para fins musicais, através de softwares de MIDI e de áudio, mostrando as alternativas existentes e a interação entre as aplicações.

Computadores e MIDI

Sendo o computador uma máquina precisa e rápida, pode-se usá-lo para manipular os dados digitais transmitidos pelos instrumentos musicais MIDI. Para isso, é necessário ter um software adequado e específico para esse tipo de aplicação bem como algum dispositivo de hardware instalado no computador que traduza os sinais eletrônicos vindos pelo cabo MIDI, e os passe ao processamento do computador/software.

Uma característica fundamental do MIDI é que ele é um sistema de comunicação digital, onde as atitudes do músico sobre o instrumento musical são detectadas, codificadas e transmitidas pelo cabo MIDI, sob a forma de dados digitais. Esses dados não são exatamente os sons, mas sim as ações que o músico faz para tocar os sons (pressionar uma tecla, pisar um pedal, etc). Outras informações que não sejam especificamente de execução musical também podem ser transmitidas via MIDI, o que faz o sistema extremamente poderoso.

Os requisitos básicos para que se possa fazer música MIDI no computador são:

Computadores e áudio

O interesse pelo uso do computador para a gravação de sons em formato digital começou a crescer à medida que foram aumentando a velocidade de acesso e transferência dos dados (seek time e data transfer) e também a capacidade de armazenamento dos discos rígidos (hard-disks), até atingir níveis viáveis (e a preços razoáveis). Para se ter uma idéia, 1 minuto de gravação em estéreo ocupa algo em torno de 10 MB (megabytes) de espaço de disco e, por isso, o uso desse tipo de mídia para registrar áudio só se tornou realmente apropriado quando os discos ultrapassaram a marca dos 500 MB. Hoje, pode-se encontrar no mercado discos rápidos e com capacidade acima de 1 GB (gigabyte, 1.000 MB), de forma que o uso do computador como gravador de áudio já é uma realidade.

Apesar das limitações ainda impostas pela capacidade de armazenamento dos discos rígidos, a queda vertiginosa dos preços desses dispositivos tem levado muitas pessoas a considerar a implantação de sistemas de áudio digital no computador. Além disso, a constante evolução tecnológica tem propiciado capacidades cada vez maiores de armazenamento.

As vantagens que os sistemas de gravação digital em computador podem oferecer são bastante significativas, quando comparados com os gravadores analógicos convencionais de fita magnética. O sistema digital permite copiar o material gravado quantas vezes se quiser, sem qualquer perda de qualidade, e certos problemas inerentes aos mecanismos de transporte da fita também não existem, melhorando ainda mais o nível de qualidade. Porém, as maiores vantagens são as facilidades de edição do material de áudio, usando recursos computacionais para corrigir falhas originais da gravação (ruídos, desafinos), equalizar e produzir efeitos especiais (reverb, chorus).

Outras vantagens operacionais são a redução de espaço físico e a simplificação da manutenção, graças a eliminação do sistema de fita, dispensando os alinhamentos periódicos e outras preocupações.

No estágio atual da tecnologia, a sofisticação dos sistemas de áudio digital no computador é diferenciada pela capacidade, recursos de edição e, obviamente, custo. Este texto está voltado para os sistemas mais simples, implementados com placas de som comuns no mercado e acessíveis à maioria dos usuários (músicos, pequenos estúdios, etc). Tais sistemas possibilitam a operação em conjunto com outros recursos de informática musical, como os seqüenciadores. 

Pelo fato de serem simples, no entanto, não significa que os sistemas ditos domésticos são ruins, em termos de qualidade sonora. Suas limitações são mais em níveis de recursos operacionais (entrada e saída de áudio em apenas dois canais, ausência de conexões digitais) e nas facilidades de processamento de sinais em tempo real (efeitos, etc). Por outro lado, o preço convidativo provavelmente é o fator principal que vem despertando o interesse de um número cada vez maior de pessoas em trabalhar com áudio digital em seus computadores pessoais.

Os requisitos básicos para que se possa gravar, editar e reproduzir áudio no computador são:

O problema da sincronização

A não ser que seja usado um software integrado, colocar softwares de seqüenciamento e de gravação de áudio operando juntos, no mesmo computador, nem sempre é uma tarefa das mais tranqüilas.

Para que ambos os softwares possam andar juntos, é necessário que um deles indique a todo momento sua posição, a fim de que o outro possa segui-lo. Isso pode ser feito de algumas maneiras diferentes.

Uma das opções - usada pelo Samplitude - é o software gravador de áudio gerar comandos de sincronização MIDI, que são enviados ao seqüenciador, que então toca no mesmo andamento. Para isso, é preciso que os comandos de sincronismo sejam transmitidos (pelo gravador de áudio) por uma porta de saída MIDI, e recebidos (pelo seqüenciador) por uma porta de entrada MIDI. Se o driver da interface MIDI instalada no computador puder ser compartilhado por ambos os softwares, basta uma só placa de MIDI no computador (infelizmente, nem todos os drivers permitem isso). No entanto, a operação sincronizada via MIDI, a partir do gravador de áudio, em geral não possibilita que a seqüência MIDI tenha alterações de andamento (pois o mesmo é dado pelo gravador, fixo).



Sincronizando o seqüenciador ao gravador de áudio via MIDI, externamente.

Uma outra opção para sincronizar via MIDI é fazer o link de MIDI sem interface, usando-se o driver multiplexador MidiMux, mas isso em geral pode tornar a operação do sistema menos estável.

 


Sincronizando o seqüenciador ao gravador de áudio via MIDI,
internamente, utilizando o driver MidiMux.

Outra alternativa, adotada pelo SAW, é destinar uma placa que possua recursos de sincronismo por time code (ex: MQX-32M) só para o gravador enviar sinais de sincronismo SMPTE, que são enviados (fisicamente) a uma outra placa desse tipo, usada pelo seqüenciador para receber o sincronismo, e então tocar a seqüência MIDI. Essa solução, embora resolva o problema das variações de andamento, impõe o custo de uma placa adicional.


Sincronizando o seqüenciador ao gravador
de áudio via SMPTE, externamente
Software integrado

A combinação do seqüenciador com o gravador de áudio em um único software parece ser a melhor alternativa para músicos e home-studios, que desejam ter um sistema enxuto, de operação simplificada, e a um custo inferior ao que se pode conseguir usando produtos distintos para a operação de MIDI e de áudio digital. Para o usuário, operar todos os recursos (MIDI e áudio) a partir de um único software torna as coisas bem mais fáceis, pois os procedimentos são feitos em um só lugar, o que requer o aprendizado da operação de apenas um produto. Além disso, evitam-se eventuais transtornos e possíveis problemas do uso de recursos por aplicativos diferentes no mesmo computador.

Uma das grandes vantagens é que tanto a seqüência MIDI quanto a gravação de áudio são gerenciadas pelo mesmo software, poupando trabalho do usuário. Outra vantagem é a eliminação do problema da sincronização entre softwares, reduzindo não só trabalho (e dor de cabeça), como também o custo de investimento (não há necessidade de interfaces ou placas adicionais).




No Cakewalk Pro Audio, a sincronização da seqüência MIDI é feita diretamente pelo software, a partir do tempo das amostras de áudio. Com este esquema, pode-se usar apenas uma placa de áudio, desde que ela possua conexões MIDI.

Dentre os poucos produtos disponíveis no mercado estão o Cakewalk Pro Audio (Cakewalk Music) e o Cubasis Audio (Steinberg).

Vale a pena destacar que, além das vantagens já citadas, com um software integrado de MIDI e áudio é possível fazer algumas coisas extremamente interessantes. No Cakewalk Pro Audio, por exemplo, pode-se extrair o swing de um trecho gravado em áudio e aplicá-lo para quantizar trechos de MIDI. Isso possibilita roubar grooves de trechos de disco e aplicá-los a música MIDI. E a recíproca também é verdadeira: pode-se capturar o swing de um trecho da seqüência MIDI e aplicá-lo sobre trechos de áudio, fazendo com que estes sejam alterados pela dinâmica das notas MIDI.