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Audio - Mesas de Mixagem |
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Uma visão prática da estrutura básica e dos recursos mais utilizados
A mesa de mixagem, ou simplesmente mixer, é um equipamento essencial no estúdio de áudio, permitindo misturar os diversos sinais eletrônicos de áudio vindos de cada instrumento ou fonte sonora (microfone, etc). É na mesa que se pode equilibrar os níveis sonoros e localizar no estéreo (eixo esquerdo-direito) os diversos instrumentos, além de se poder também dosar a intensidade de efeitos produzidos por equipamentos externos.
Na
estrutura de uma mesa de mixagem, chamam-se de canais os caminhos percorridos pelos sinais
de áudio. Os canais de entrada (input channel) são os acessos pelos quais pode-se
inserir os sons de instrumentos e microfones na mixagem, enquanto os canais de saída
(output channel) contêm o resultado final, isto é, os instrumentos já misturados. No
exemplo da Fig. 1, temos uma mesa de seis canais de entrada e dois de saída. Pode-se
direcionar o som de qualquer um dos canais de entrada para qualquer canal de saída
(inclusive para ambos). Em cada canal de entrada, existe um controle de pan, normalmente
sob a forma de um botão rotativo, e que permite ajustar o destino do som daquele canal.
Quando na posição central, o pan destina o som do canal de entrada para ambos os canais
de saída esquerdo e direito (left e right). Girando-o para um dos lados, faz com que o
som também seja enviado mais para aquele lado do que para o outro, de forma que quando
ele é girado todo para um dos lados, o som somente será enviado para aquele canal de
saída.
Acima do fader, existe o controle do
destino (canal de saída) do som, que é o pan. No caso do exemplo, por ser um canal de
uma mesa de mixagem com quatro canais de saída, há duas chaves de pressão, por meio das
quais se escolhem os pares de canais de saída de destino. Pressionando-se a chave 1-2 faz
com que o sinal daquele canal de entrada vá para os canais de saída 1 e 2, e
pressionando-se a chave 3-4 faz com que o sinal daquele canal de entrada vá para os
canais de saída 3 e 4.
O botão rotativo do pan ajusta então o quanto vai para cada canal: girando-o para a
esquerda, tem-se mais sinal em 1 e 3, enquanto girando-o para a direita, tem-se mais sinal
em 2 e 4 (veja ilustração da Fig. 3). Em algumas mesas de quatro canais de saída,
existe apenas uma chave que só permite selecionar um dos pares de grupo de cada vez (1-2
ou 3-4).

A próxima seção do canal da mesa de mixagem é a equalização (EQ). No canal do
exemplo, há três botões rotativos, para controle de graves, médios e agudos, cujas
faixas de atuação estão ilustradas na Fig. 4. Quando posicionados no centro, esses
botões não efetuam qualquer alteração; movendo-os para a esquerda, consegue-se reduzir
a respectiva faixa de freqüências - graves (bass), médios (mid) e agudos (treble),
enquanto movendo-os para a direita obtém-se uma acentuação da faixa. Uma chave de
pressão permite ligar/desligar a equalização imediatamente. Em algumas mesas, a EQ é
mais sofisticada, havendo dois botões para cada banda: um deles ajusta a freqüência
central da banda e o outro ajusta o ganho/redução.

Figura 4 - Atuação dos controles de EQ
Depois da EQ, temos a seção de envio (send) para efeitos (chamada por muitos de
mandadas). Esses botões dosam a quantidade de sinal de cada canal a ser processada pelo
dispositivo de efeito (reverb, eco, etc), externo ao mixer. O sinal processado volta do
dispositivo de efeito e entra na mesa de mixagem pela conexão de retorno (return), que
direciona-o aos canais de saída da mesa, juntamente com o sinal original (sem efeito) de
cada canal de entrada (veja Fig. 5).
É importante observar no caso da Fig. 5 que, como todos os canais enviam sinal para o mesmo processador de efeitos, todos os canais de entrada terão o mesmo efeito. O único ajuste que se tem é da intensidade de efeito sobre cada um. Na mesa de mixagem cujo canal de entrada é representado na Fig. 2, entretanto, como há três envios separados, pode-se destinar cada um deles a um dispositivo de efeito diferente (obviamente, deverá haver três ou mais entradas de retorno). Na maioria das mesas, em cada entrada de retorno pode-se ajustar a intensidade (do sinal que retorna) e seu balanço (pan).
Figura 5 - Exemplo de processo de envio-retorno de efeito
Pode-se também usar o controle de envio para monitoração dos canais. Isso é muito comum tanto em sistemas de PA, onde os ajustes de nível do palco são diferentes dos ajustes do som para o público, como também em estúdios, onde muitas vezes é necessário reduzir ou aumentar o volume de determinado instrumento para melhorar a audição do cantor, por exemplo. Para isso, pode-se tirar os sinais dos canais por uma das saídas de envio, e conectá-la a um amplificador e caixas para monitoração. Assim, é possível mixar os volumes da monitoração independentemente dos volumes dos canais, que vão para as saídas da mesa. Por isso é que muitas mesas de mixagem já designam uma das saídas de envio com o nome de monitor.
O último controle do canal de entrada da mesa exemplificada aqui é o ajuste de ganho (ou sensibilidade). Ele permite que o nível do sinal de áudio seja adequado às condições de trabalho da mesa. Sinais fracos, como os de microfones dinâmicos, por exemplo, precisam ser amplificados mais do que os sinais de instrumentos eletrônicos (line). Deve-se ajustar o ganho de forma que os níveis mais altos do sinal não ultrapassem o máximo desejado (ponto onde inicia a saturação), quando o fader de volume está posicionado em 0 dB. O led de overload (veja Fig. 2) ajuda a encontrar esse ponto ideal: posiciona-se o fader em 0 dB e vai-se ajustando o ganho até que os sinais mais altos não acendam o led.