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Audio - O que é Computer Music |
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Aqui abordaremos os
"segredos e mistérios" do uso do computador na música. Na verdade, nosso
objetivo é trazer as informações práticas que lhes permitam escolher, instalar e usar
- de forma "indolor" - os recursos modernos da informática. Para isso, não
iremos nos preocupar muito com detalhes estritamente técnicos ou científicos, mas
apresentaremos, sempre que preciso, os conceitos fundamentais. A idéia é que essa
seção seja prática e objetiva, nos níveis da necessidade do usuário. Viajaremos por
temas que vão desde a interligação de instrumentos MIDI até os softwares
seqüenciadores, passando pelas interfaces MIDI e placas de som, arquivos de música e
outros assuntos interessantes, sempre procurando dar dicas úteis para você aplicar na
prática.
O termo computer music poderia ser
traduzido como "música de computador", mas acho que isso poderia dar uma idéia
errônea sobre o que realmente significa. Em geral, quando as pessoas ouvem falar de
coisas "feitas por computador", acabam pensando em robôs, vozes estranhas, e
outras coisas que ficaram marcadas pelos filmes de ficção científica dos anos 60,
quando muita gente achava que os "cérebros eletrônicos" eram perfeitos o
suficiente para dominar o mundo, mas um tanto imbecis para fazer música ou pintar
quadros.
Prefiro definir computer music como
"informática musical", isto é, não é a música que é computadorizada, mas
na realidade são os recursos do computador (e da informática como um todo) que são
aplicados para a criação, manipulação, execução e reprodução da música (esses
quatro estágios são importantes, e em nossos encontros eles serão abordados muitas
vezes). O uso do computador não significa que é ele quem faz (cria) a música (embora
possa fazê-lo, a partir de dados pré-definidos). A aplicação da informática na
música está muito além disso, pois coloca à disposição do artista (músico,
compositor, arranjador, projetista de sons) um arsenal de ferramentas cujo potencial é
enorme. Em nenhum momento o artista será prescindível; sua atuação é essencial no
processo, e quanto mais competente e talentoso, melhor será o resultado obtido.
E se alguém ainda faz alguma objeção
quanto ao uso de máquinas na música, então eu pergunto: e o que são os instrumentos
acústicos? São instrumentos, ferramentas, máquinas de fazer som, construídos com a
tecnologia disponível. E é dessa forma que eu vejo o computador na música, e creio que
todos os artistas que usam computadores vêem da mesma forma: um novo instrumento à
disposição do artista. Com a grande diferença do enorme potencial (muita coisa sequer
foi implementada ainda), que pode ajudar muito se você dominar a técnica de como usar
(assim como se aprende a tocar um instrumento), e souber conviver com os limites que
existem (nada é perfeito!).
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PARA QUEM ACHA QUE TECNOLOGIA MUSICAL É COISA RECENTE, VALE A PENA OBSERVAR O MECANISMO DE UM PIANO VERTICAL (DESENVOLVIDO NO INÍCIO DO SÉCULO XIX) |
Portanto, computer music, para nós, é todo
o universo tecnológico vinculado ao computador (e à informática em geral) que dispomos
para fazer nossa arte, a música. E assim é preciso que saibamos como usar tudo isso da
melhor forma, para produzirmos o melhor resultado, em todos os aspectos, mas
principalmente em termos artísticos.
MIDI: O PRINCÍPIO DE TUDO
Embora o uso de computador para fins
musicais exista praticamente desde que o computador existe, seu uso só se tornou
verdadeiramente intensivo a partir da década de 80, por duas razões: o barateamento e
consequente popularização dos microcomputadores, e o advento do MIDI.
O MIDI (Musical Instrument Digital Interface) é um padrão de transmissão digital
de informações ("comunicação de dados") desenvolvido especificamente para
fins musicais. Assim como um terminal bancário pode transferir informações de e para
uma central de processamento, os instrumentos musicais dotados de MIDI também podem
"falar" entre si. Da mesma forma que os sistemas bancários, o sistema MIDI usa
também códigos digitais (bits e bytes), só que os códigos não carregam informações
de saldo, saques, depósitos, etc, mas sim informações que dizem respeito a execução
musical, como notas musicais, volume, acionamento de pedais, troca de timbres, etc (na
verdade, há também algumas outras informações não-musicais, como configurações de
equipamentos de estúdio, por exemplo).
Definido em 1983, como resultado de um acordo tecnológico entre os principais fabricantes
de sintetizadores norte-americanos e japoneses, o MIDI foi introduzido no mesmo ano,
equipando o sintetizador Prophet-600, fabricado pela Sequential Circuits (empresa
que apresentou a proposta original do MIDI, que foi revisada e aprovada por todos). A
partir daí, a indústria eletrônica musical passou a ter um padrão de comunicação,
que viabilizou o surgimento de inúmeros instrumentos e equipamentos compatíveis entre
si.
A importância de um padrão como o MIDI é enorme. Antes disso, vários fabricantes
tentaram comercializar sistemas semelhantes, mas que só eram compatíveis com eles
mesmos. Além disso, como o MIDI não tem "dono" (a especificação é de
domínio público), qualquer empresa pode usá-lo em seus produtos, não tendo que pagar
absolutamente nada por isso. Padrões são muito importantes nos dias de hoje (imagine se
os fabricantes de lâmpadas usassem roscas diferentes!), e a gratuidade do uso do MIDI foi
um fator essencial para a sua disseminação.
Com os computadores cada vez mais baratos, e um sistema padronizado para a transferência
de informações entre eles e os instrumentos musicais, criaram-se as condições básicas
para uma revolução global - e irreversível - na música, em todos os níveis.
GLOSSÁRIO
microcomputador: computador de uso pessoal; até o final da
década de 70, computadores eram máquinas enormes e muito caras; com o desenvolvimento de
componentes eletrônicos mais poderosos e mais compactos, começaram a surgir máquinas
mais simples e acessíveis;
dados digitais: forma de representação (codificação) de informação onde são
usados números, que podem ser transferidos eletronicamente entre máquinas, ou
armazenados em dispositivos adequados (ex: disquetes magnéticos), preservando fielmente
as características originais; nos computadores, por conveniência dos circuitos
eletrônicos, os números (códigos) são representados no sistema binário, onde só
existem os algarismos 0 e 1.
bit, byte: bit é o nome dado ao dígito (algarismo) de um número binário; byte
(fala-se "baite") é um conjunto de oito bits; exemplo: o número binário
10110010 possui oito bits, e corrsponde ao valor 178 em nosso sistema de numeração
convencional (sistema decimal).