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Audio - Sincronizando Equipamentos por SFK

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multitrack equalização espectro áudio-wave midi
mixagem afinação partitura compressão edição
cd-cdr mp3 sequência masterização vocoders
efeitos samplers conversores plug-ins gravação

Uma das combinações mais interessantes entre equipamentos musicais é a operação conjunta de um seqüenciador MIDI com um gravador multipistas de áudio. A idéia é poder criar a parte instrumental e rítmica da música no seqüenciador (comandando, por exemplo, um instrumento multitimbral para produzir os diversos timbres), e deixar para gravar em áudio, no gravador, apenas as partes vocais e/ou passagens tocadas por instrumentos acústicos (sax, violão, etc), que não podem ser gravados via MIDI.

Nesse processo, cria-se primeiro a parte MIDI da música no seqüenciador, que comandará um ou mais instrumentos MIDI, tocando a parte instrumental. Em seguida, põe-se o seqüenciador para executar a música e, enquanto isso, um dispositivo conectado à saída MIDI OUT do seqüenciador converte as mensagens de tempo-real (START, MIDI CLOCKS e STOP), em um tipo de sinal eletrônico chamado de FSK (frequency-shift keying) que preserva as informações de andamento originais e que, por ser um sinal na faixa de áudio, pode ser gravado em fita magnética, e registrando então na fita todo o andamento da seqüência.

Assim, um sistema usando FSK contém os seguintes equipamentos: um seqüenciador, no qual é criada e executada a seqüência MIDI que comanda os instrumentos musicais, e gera as mensagens MIDI de tempo-real que serão convertidas em sinal FSK; um conversor MIDI/FSK, que a partir das mensagens MIDI recebidas do seqüenciador, gera o sinal de sincronismo (esse conversor pode estar incorporado no seqüenciador ou mesmo no gravador); um gravador multitrack, onde uma das pistas de gravação registra o sinal de sincronismo.

Para se registrar o sinal de sincronismo na fita (processo chamado de striping), efetuam-se as interligações necessárias entre os equipamentos e põe-se o gravador para gravar do início da fita (veja figura), ativando-se para gravação apenas a pista escolhida para registrar o sinal de sincronismo (antes iniciar a seqüência, o conversor fica gerando um sinal-piloto, usado para regular o nível de gravação). Em seguida, põe-se o seqüenciador para executar a seqüência integralmente enquanto, ao mesmo tempo, o conversor, recebendo as mensagens de tempo-real gera o sinal FSK. Ao fim da seqüência, o gerador volta a emitir o sinal-piloto, e a gravação na fita pode ser interrompida, pois a pista de sincronismo já está gravada.

Tendo a fita o registro completo do andamento da música, o processo de sincronização pode ser feito, com o sinal caminhando no sentido inverso: põe-se o gravador para reproduzir (playback) a pista de sincronismo, e o sinal FSK é enviado ao conversor, que agora opera no modo inverso, convertendo-o em mensagens MIDI de tempo-real, que são enviadas ao seqüenciador. Este último, agora operando como escravo, com SYNC=EXT, executa a seqüência e comanda os instrumentos MIDI, conforme o andamento convertido a partir do sinal de FSK na fita.

IMPORTANTE: Após registrar na fita o sinal de FSK (striping), não se deve alterar mais o material da seqüência, pois senão o andamento na fita não mais corresponderá ao novo material. Além disso, deve-se usar boas fitas, pois se o sinal FSK for deteriorado poderá acarretar erros na recuperação dos MIDI CLOCKS. Pelo mesmo motivo, deve-se também evitar alterações na velocidade da fita.

Sincronizando-se um seqüenciador (escravo) com um gravador (mestre), é possível então usar as demais pistas do gravador para gravar as outras partes não-MIDI da música (vocais, violão, guitarra, etc). Grava-se o novo material (por ex: voz) em uma pista livre (a pista com o sinal FSK está em playback, sincronizando o seqüenciador), com o músico ouvindo a parte instrumental comandada pelo seqüenciador. É importante observar que, da mesma forma que o sincronismo MIDI, o sincronismo FSK é uma referência em tempos musicais, pois contém variações de andamento (veja figura).

As vantagens do uso de um gravador sincronizado com seqüenciador são várias, algumas bastante relevantes. No processo convencional de gravação com overdub, todo material musical é gravado nas várias pistas do gravador e depois mixado para a fita master (stereo) final, o que faz ocupar muitas pistas para os diversos instrumentos usados na música. Usando um seqüenciador sincronizado, pode-se dispensar diversas pistas, pois o material executado pelos instrumentos MIDI - sob o controle do seqüenciador sincronizado - pode ser gravado diretamente na fita master, sem passar pelo gravador multipistas (a mixagem deles é toda feita na própria seqüência). A única contrapartida seria a perda de uma pista para ser usada pelo sinal de FSK. Uma outra grande vantagem é que o material executado pelos instrumentos MIDI, não passando pelo gravador multipistas, acaba tendo uma qualidade superior de áudio.

O sinal simples de FSK só possui informação de START, MIDI CLOCKS e STOP. Mas existem implementações mais sofisticadas, chamadas de smart FSK, que contêm informações adicionais de posição da música (o que eqüivale à mensagem de SPP, Song Position Pointer). Exemplos disso são o Tape-Sync II da Roland, e o Chase Lock Sync das interfaces da Music Quest.

Infelizmente, não existe um padrão universal para o sinal de FSK, de forma que cada fabricante acaba usando um sinal com características próprias, mais adequadas a seus produtos, impedindo que o material sincronizado por um equipamento possa ser aproveitado por outro.